Alerta de textão!
Em dezembro de 2022, fui diagnóstica com câncer de intestino. Não teve trilha sonora, como nos filmes, nem tempo de investigação, nada. Foi no susto, de repente, na raça.
Tinha comido uma pizza e fiquei me sentindo empachada. Justamente porque iria viajar, mesmo resistente, acabei indo à emergência antes da viagem.
O diagnóstico veio na manhã do mesmo dia em que eu viajaria à tarde pra fazer um curso em São Paulo. Ao invés de entrar em um avião, meu lugar foi reservado no centro cirúrgico, para uma cirurgia delicadíssima, num intestino que estava perfurando em dois lugares.
Durante aproximadamente 12h de angústia dos que aguardavam notícias na sala de espera, minha vida esteve literalmente nas mãos do maravilhoso cirurgião Dr. Luciano Elias.
Em fevereiro de 2023, lá estava eu diante do desafio de colocar o catéter e operar o fígado, onde estava localizada uma metástase em fase inicial, que foi completamente debelada pelas competências técnica e humana do Dr. Flávio Silano.
Em março de 2023, comecei a quimioterapia sob os cuidados do sensacional Dr. Rodrigo Guedes. Seis meses de um tratamento que desafiou meu corpo, mas que revelou o potencial que o ser humano guarda dentro de si.
Agora já não estou falando de mim, mas de todas as pessoas que sofreram comigo e que se mantiveram a meu lado, chorando, sorrindo e acreditando.
Aqui entraram as gratas surpresas: a equipe da UTI, as enfermeiras inacreditáveis da quimio, os desconhecidos que sorriam amorosamente, o estímulo da parceira das caminhadas, a personal que me destrói pra ver minha saúde fortalecida, o profissional que tranquiliza na hora da ressonância magnética, o copo com água servido com uma pitada de gentileza, as orações feitas em silêncio, que eu nunca sequer saberei que foram feitas.
Em fevereiro de 2025, cirurgia pra corrigir a hérnia causada pelas duas incisões anteriores e para retirar o catéter, por onde recebi as bençãos da quimio. Retirar o portocath foi simbólico!
A cada seis meses faço exames de rotina. Está tudo bem.
Tenho feito meu dever de casa com seriedade: atividade física, alimentação controlada, exames regulares.
Confesso que não é fácil me manter na disciplina, mas nos dias que fica mais difícil, lembro que esta é a melhor forma de RESPEITAR e AGRADECER aos que sofreram comigo, que trabalharam por minha recuperação e que se empenham em me ver bem.
Quando vejo o sorriso de meu filho, bendigo os que estiveram comigo, por serem os responsáveis para que eu possa apreciar a beleza de minha prole.
Quando vejo as mãos envelhecidas dos meus pais, agradeço os esforços pessoais dos médicos que aproveitaram a oportunidade que tiveram de estudar para salvar vidas, para salvar a minha vida.
Quando uma cena de despedida na TV me comove, lembro do olhar assustado de meu marido, Marcos, quando escutou a gravidade e que só respirou aliviado quando percebeu que eu permaneceria.
Tantas respirações suspensas… minha amiga Evlyn, absoluta e absurdamente incondicional; Monique: Amanda; Cátia; Carine; minhas tias; meus tios e Marco; meus primos; Menininho; Cirlene; Fábio; Kaísa; meus cunhados; Gal; Tuquinha; Dona Zenith… Sinônimos de amor e de injeção de vida em veia sofrida. Tantos outros nomes que não foram citados, mas que estão contidos…
Busquei Deus o tempo inteiro, mas devo dizer que a honestidade de minha fé me permite acreditar Nele independe dos resultados de meus exames. Sou eu que preciso da linearidade Dele e não o contrário.
O fato é que no rol dos meus porquês está o RESPEITO àqueles que sempre estiveram e que permanecem a meu lado, assim como o desejo de ver MEU FILHO realizar os próprios sonhos, com comprometimento e responsabilidade.
No rol dos meus porquês está o desejo de trabalhar na seara do BEM, de atapetar a vida de meus pais, de ADVOGAR em favor das muitas pessoas que me procuram precisando do melhor de meu conhecimento técnico, como eu mesma precisei da habilidade dos médicos.
No rol dos meus porquês está a decisão diária de levantar cedo pra malhar e assumir a responsabilidade na parte que me compete com relação a minha própria saúde.
Claro que nem tudo depende de mim, mas atuar nas pequenas decisões que me cabem já é muito. A consciência tranquila é o travesseiro que escolhi para embalar meu sono.
Sabedora dos desafios, entendo que importa mais o COMO nos EMPENHAMOS para lidar com as fases. Ganhar ou perder são lados da mesma moeda chamada VIDA.
Mas, cá pra nós, é lindo ver esse catéter após ter sido retirado, depois de ter executado seu trabalho com eficiência. E fico aqui pensando: será que a pessoa que inventou esse dispositivo chamado Port-a-Cath já almoçou hoje? Se descobrir o endereço, posso mandar entregar uma comidinha quentinha de vó em sua casa.
Agora te pergunto: Diante dos DESAFIOS, qual é o seu POR QUÊ?
